Quando entrei no universo da gestão de projetos, ainda não sabia que existiam iniciativas como programas. Para mim, portfólio era apenas a lista de projetos e ponto final. Em 2008, eu trabalhava em uma empresa que já tinha um gestor de portfólio. Ele era um gerente sénior que atuava a nível estratégico apoiando o trabalho dos gestores de projetos que lidavam com a demanda diária necessária para manter seus projetos dentro do cronograma, prazo e escopo. E as responsabilidades eram bem definidas.
Acontece que, de vez em quando, surgiam pedidos que exigiam a criação de grupos específicos de trabalho, onde eram convocados gestores de projetos, PMOs, líderes técnicos, analistas de negócios, entre outros profissionais, para que a entrega fosse realizada. Se bem me lembro, eram mesmo grandes projetos, daqueles que envolviam muitas áreas da empresa, e algumas precisavam dedicar recursos exclusivamente a essa iniciativa durante algum tempo, além dos consultores que eram contratados para reforçar a equipe.
sim, isso aconteceu há 17 anos e tudo era considerado projeto. Eu amava estar neste ambiente, nosso dia-a-dia era reunir, documentar, alinhar, transferir, testar, entre tantas outras tarefas necessárias. A centralização de tudo era feita dentro do Sharepoint e apesar da complexidade, havia uma organização séria em torno do trabalho, e eu aprendi muito com essa experiência.
Anos se passaram e, fora daquele ambiente, foi difícil replicar aquela disciplina em outros contextos, especialmente nas fases iniciais, quando a cultura de gestão de projetos com compromisso de entregas ainda estava em desenvolvimento. Foi então que percebi que existem projetos que não podem ser concluídos de uma vez só, mas que seria preciso “cortar o boi aos bocados”. O sucesso em algumas iniciativas não é imediato, ele surge da combinação de entregas cujo resultado só se mede quando todas estiverem concluídas, mesmo que isso só aconteça após o encerramento do projeto.
Como assim, Patrícia? Existem projetos cujo sucesso só pode ser medido após o encerramento? Não. Todos os projetos passam por um ciclo de vida e, ao final, precisamos medir os critérios de aceitação e saber o resultado. O que quero dizer é que, nestes casos, quando temos a interdependência de iniciativas e precisamos avaliar o todo estamos falamos de programas. E, sim, o sucesso do programa é medido pelo benefício alcançado após a conclusão de todos os projetos associados a ele. Ficou mais claro?
A coordenação de atividades por si só é complexa. Agora imagine associar o resultado da entrega de uma iniciativa ao conjunto de entregas que acontecem em ritmos diferentes, em contextos diferentes, mas todas precisam ser integradas mantendo o foco na entrega de um benefício ou valor como a soma do todo. Neste simples exemplo, percebemos que caso uma delas não seja entregue, compromete-se o resultado final. É arriscado não atingir 100% em algo tão importante.
Este cenário mostra a importância da gestão de programas nas organizações. Compreender que existem processos, ferramentas e técnicas específicas para a gestão de programas permite que gestores e PMOs tenham maior efetividade no alcance de seus objetivos. A gestão de programas é tão importante quanto a de projetos; uma não substitui a outra, pelo contrário, elas se complementam muito bem. Pois ambas tem como foco a execução de iniciativas.
Entender a diferença entre projetos e programas é uma habilidade que acredito que todos nós iremos desenvolver com experiência diária lidando com projetos, mesmo que signifique fae-lo na tentativa e erro que a vida nos proporciona. Eu gostaria muito de ter tido um mentor(a) ou alguém com quem conversar sobre gestão de programas há sete anos; certamente teria evitado muitos erros na forma como liderei algumas iniciativas.
No meu caso, foi somente em 2024 que me aprofundei no estudo da gestão de programas e, em 2025, fui aprovada na certificação PgMP. Desde então, venho implementando os processos de gestão de programas no meu dia a dia, com foco na gestão de benefícios e stakeholders.
E por isso estou aqui para descomplicar o que são projetos e programas para você:
Projetos: Uma iniciativa temporária, em um contexto único, realizada para criar valor.
Programa: Um grupo de projetos relacionados e gerenciados de forma coordenada para obter benefícios não disponíveis ao gerenciá-los individualmente.
E, para acrescentar deixo abaixo algumas diferenças que podem ajudar a identificar se você trabalha em um projetos ou em um programa:
Escopo:
- Projetos: objetivos definidos, detalhados progressivamente ao longo do ciclo de vida.
- Programas: abrangem os escopos de seus projetos e geram benefícios ao garantir que entregas e resultados sejam coordenados.
Planejamento:
- Projetos: gerentes transformam informações de alto nível em planos detalhados ao longo do ciclo de vida (preditivo, adaptativo ou híbrido).
- Programas: planos de alto nível que rastreiam interdependências e alinham os objetivos do programa ao progresso dos componentes.
Como o sucesso é medido:
- Projetos: pela qualidade da entrega, cumprimento de prazos e orçamento, e satisfação das partes interessadas.
- Programas: pela capacidade de fornecer benefícios e valor coletivamente, atingindo objetivos estratégicos.
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A gestão de programas e projetos é uma jornada contínua de aprendizado e evolução. Quanto mais entendemos os conceitos e aplicamos as práticas corretas, maior a capacidade de gerar valor real e se preparar para desafios maiores. Talvez, após ler este texto, você se identifique com as responsabilidades de um gestor de programas. E isto pode ser uma excelente oportunidade para você clicar aqui e saber mais sobre a certificação PgMP e avaliar se ela seria um diferencial na sua carreira.
Convido você a refletir sobre o seu papel atual na gestão de projetos e programas: Suas iniciativas se forem gerenciadas de forma coordenada poderiam gerar mais valor?
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Vamos avançar nesta jornada de crescimento e impacto!


